O Renato chegou até nós em março do ano passado, conforme eu contei nesta postagem.
E, a vivência com ele me ensinou muitas coisas, por isso resolvi contar a sua história.
Antes de adotá-lo, foi meu encargo de filha cinófila entrar em contato com instituições/pessoas e pus-me a fazê-lo, até que meu pai pudesse ser agraciado com um cão.
Do dia para noite, minha caixa de e-mails lotou, meu telefone não parava de tocar, havia fotos de cães para todos os lados, todos lindos, maravilhosos, resplendendo predicados. "Bom com crianças, carinhoso, meigo, sociável, tranquilo, dócil, brincalhão, obediente..."
Foi daí que o Renato chegou.
Meu pai foi buscá-lo, colocou ele no carro e apareceu com ele em casa.
O Renato não estava castrado.
Ah, mas meu pai adorou ele. Ele era cachorro mesmo! Latia, corria, brincava. Não era como os meus cães que, segundo ele, não servem pra nada, porque só comem, dormem e soltam pum - não servem nem para latir! (e eu perdoo porque é meu pai!)
Fizemos tudo como manda o figurino: castramos o Renato, colocamos a coleira Scalibor, aplicamos todas as vacinas necessárias, fizemos exames, etc, etc. e etc.
Mas, não demorou para percebermos que o Renato não era muito normal. Ele possuía uma energia excomunal. Latia incessantemente, mesmo sem estímulos. Era extremamente destruidor, apesar de não ser filhote mais. Destruiu sua casa de madeira, a ponto dela servir apenas para lenha para o fogão. Destruiu um jardim inteiro várias vezes. Destruiu uma área de churrasqueira inteira, pilares de madeira, mesas, cadeiras... só sobrou a pia e a churrasqueira, porque elas eram de alvenaria.
Renato era inquieto, não dormia com tranquilidade, não aceitava comandos básicos, estava longe de ser um cão "calmo, dócil, meigo, sociável, tranquilo...", conforme nos foi dito. Parecia um cão autista.
Minha veia cinófila é paterna, mas nem meu pai - que tem dons natos de encantador de cães - conseguia interagir com o Renato. O caso dele era patológico.
Mesmo assim, florais de Bach, alopatia e adestramento - combinados - não fizeram efeitos significativos.
Há um mês atrás, Renato fugiu por uma greta do portão que a faxineira deixou aberta. Ele saiu como um louco pela rua e ela não conseguiu apanhá-lo. Evaporou da superfície terrestre. Como ele era muito bem cuidado, acreditamos que alguém deve ter achado-o, mas ainda não quis devolvê-lo - ele usa coleira com placa de identificação.
Mas, com certeza, não tardará este dia...
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Há protetores de cães que são realmente extraordinários, que fazem com excelência o seu trabalho.
Infelizmente, nós não tivemos a sorte de encontrar um assim. Encontramos pessoas que queriam desesperadamente, apenas, "desovar" seus cães a qualquer um que aparecesse.
Quer adotar? Faça-o.
Mas, procure entidades que trabalhem com pessoas idôneas/honestas.
Existem restrições para a adoção. Essas pessoas vão lhe informar as ressalvas relativas à adoção de um cão.

Hummm, o problema está na tal "instituição idônea", minha querida. Porque instituições são feitas de pessoas e pessoas mentem.
ResponderExcluirFiz uma coluna no jornal e um post dando dicas de como adotar de alguém responsável, não sei se vc viu.
Mas vcs procuraram o Renato por tudo? Uma vez um casal de amigos adotou uma cadelinha que era um doce, não tinham problema nenhum com ela, só que na primeira oportunidade, depois de meses adotada, a bicha ganhou a rua pra nunca mais, nem procurando, nem rezando, nem nada! Mas daí não era culpa de quem doou, era só um cão tentando voltar sabe-se lá pra onde, tanto que achamos que ela podia ser dar redondezas, reconheceu os cheiros de casa e assim que pôde se mandou de volta. Vai saber. Mas estava castrada, ao menos isto, então não é mais uma enchendo as ruas de ninhadas.
Rapadura é doce, só não é mole...
;-D
ai que triste, Camilli...
ResponderExcluirEu acho que um protetor que cuida de muitos cães geralmente nem sabe informar as características e até mesmo estado de saúde do animal.
Uma vez eu adotei uma cachorrinha de um abrigo . Era minha primeira adoção, e eu já tinha 2 cães em casa. No primeiro dia , ela teve convulsões; que se repetiram nos dias seguintes. Levei ao veterinário: cinomose.
Fiquei pensando: pô, a protetora me deixou levar para casa um cão com cinomose ??? E hoje eu realmente acho que ela não agiu de má fé, ela simplesmente nem tinha percebido que o cão tinha convulsões todo dia, tendo em vista as dezenas de animais que moram por lá.
Explica, mas não justifica. É irresponsável deixar isso acontecer, assim como é irresponsável falarem para você que o cão é dócil e calmo se ele não é. Muita gente iria abandoná-lo se estivesse em seu lugar . Que tipo de pessoa doa um animal sabendo que ele pode ser abandonado logo em seguida?
é complicado.
Me incomoda o fato de alguém se propôr a fazer um determinado trabalho e não fazê-lo bem feito.
ResponderExcluirO Renato evaporou da superfície terrestre, mas acreditamos que ele reaparecerá, por causa da placa de identificação no pescoço. É só uma questão de destruir a casa de alguém...
:)
Putz isso acontece direto!
ResponderExcluirQuando adotei o Mano, ou seja, o retirei das ruas mesmo, tive de mantê-lo preso mesmo durante um bom tempo, confesso que achei que ele iria morrer deprimido, mas aos poucos ele foi assimilando a nova vida!! Porém diversas vezes aconteceram fugas, principalmente quando todas cadelas do quarteirão entravam no cio, um inferno... acontece que os cães de rua, ou vira-latas, realmente não sentem medo, enfrentam tudo e todos, diferente dos criados desde pequenos junto dos tutores.
Mantê-los presos é um imenso desafio e um exercício de paciência.
Sobre encontrar cães que fogem, tive boas experiências encontrei 03 cães, e não adianta só espalhar cartazes em todos lugares, têm que perguntar para TODOS na vizinhança, oferecer grana de recompensa e esperar, eu consegui fazendo tudo isso!! Dois eram cães dos meus pedreiros, que me pediram ajuda, chorando e obviamente que chorei junto, fui ajudá-los, teve um que ficou 2 meses sumido e eu o encontrei!! Foi mágico!
Já o terceiro foi o Remo, que foi sequestrado e ainda tive que pagar a "recompensa" para o fdp....
Enfim, boa sorte, calma e força pro teu pai que deve estar chateado... bjks Cecília.