domingo, 9 de janeiro de 2011

Abortando uma missão

O Aborto.

Sou mãe de 3 filhos e digo para quem quiser ouvir que ninguém normal é capaz de arrepender-se de tê-los tido.  Com o nascimento dos meus filhos descobri que a minha capacidade de amar, de me doar a alguém, é infinita e imensuravelmente superior a que eu acreditava possuir anteriormente a vinda deles a este mundo.
Principalmente por ter vivido essas experiências de amor supremo, tenho restrições pessoais à prática do aborto eletivo.
Além disso, tenho algumas convicções espirituais contra este ato, que não cabem ser relatadas aqui.

Entretanto, o que eu sinto e o que eu acredito não muda a nossa realidade.

Em 2007, o jornal O Globo publicou:  A cada três crianças nascidas vivas no país, existe um aborto induzido, aponta o estudo Magnitude do Aborto no Brasil, da Organização Não-Governamental Ipas BrasilLeia o resto da reportagem.

Os problemas decorrentes do aborto - ou da tentativa mal sucedida em praticá-lo -  são questões de saúde pública e não pode mais ser ignorados e/ou misturados à crenças pessoais.
Lidar com este problema pela porta da frente, talvez seja a melhor maneira de minimizar danos coletivos.

(...)

Resolvi iniciar essa discussão com este tema, que para mim é muito pesado, para abordar outro bastante discriminado: o dia em que alguém precisa doar seu cão.

Quem acompanha o blog sabe que todo o meu trabalho aqui é voltado para a posse responsável. Sabe como eu defendo a seleção de lares para pets afim de diminuir a taxa de abandono. Sabe que eu defendo a castração como, também, medida de controle populacional.  Entretanto, eu seria estúpida e míope se fechasse os olhos para a realidade que nos cerca.

Muitas famílias, por motivos diversos, não podem mais manter determinado cão. Inclusive muitas famílias legais, constituídas de pessoas dignas e responsáveis. A realidade é que para que as contingências da vida de uma pessoa mude, basta que ela respire.

Provavelmente, muitas pessoas que estão lendo este post jurarão sobre o milho que nunca apoiarão o aborto e/ou nunca "abandonarão" seus cães-filhos. Congratulo arduamente a todos que pensam desta maneira e que agirão assim ao longo de suas vidas.
Mas, também sugiro que não utilizem de suas próprias convicções com partidarismo enfurecido contra quem muitas vezes não tem outras opções. Ao invés de atirar pedras em quem precisa fazê-lo, o que certamente é um processo doloroso para muitas famílias, lhes convido a minimizar os danos e apoiar atitudes construtivas.

Alguém precisa doar seu cão? NÃO MARGINALIZE! NÃO JULGUE!  
Resolva o problema do cão, porque isso é o que verdadeiramente importa.
Ajude a encontrar um lar adequado, com pessoas comprometidas com a posse responsável, que irão acolher este cão e dar-lhe a vida digna que ele merece.
Oriente o atual proprietário a castrar seu cão antes de doá-lo (prefeituras fazem castrações gratuitas ou a baixo custo).

Se você quer ajudar um animal, ajude também o ser humano!


"Nós que adoramos bichos devemos evitar o fanatismo raivoso, afinal estamos defendendo o amor que eles nos transmitem."
Rita Lee




>>> Se, por qualquer motivo, você precisa doar seu frenchie, entre em contato conosco. Faremos o possível para escolher um super lar para ele!

>>> Se você quer adotar um frenchie, conheça nossos termos.

.

10 comentários:

  1. Camilli, esse texto serve para tirar o peso que os fanáticos põe nas costas daqueles que, em virtude das contigências da vida, decidem pela doação do cão para o próprio bem, mas também para o bem do cão. Os fanáticos são incapazes de se colocar no lugar do outro; ao contrário, a cegueira de seu entendimento os impedem de enxergar que eles não conseguem amar o seu próximo como amam (ou pelo menos pensam que amam) os animais. Camilli, parabéns pela ousadia de pensar e dizer diferente!
    Um abraço!

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  2. Querida Adriana!
    Que prazer receber você no blog novamente!!! Sinto muitas saudades da sua participação, sempre inteligente.

    Obrigada pelo seu comentário.

    Com os meus 37 anos, já tive experiência suficiente para aprender que "saber se colocar no lugar do outro" é uma generosidade que poucos exercem, infelizmente. De maneira em geral, preferem provar um ponto de vista e o "resto que se exploda".
    Mas, a vida ensina! E feliz aquele que aprende mais depressa.

    Volte sempre, viu?
    Beijo!

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  3. Olá!!
    Lá vou eu participar novamente! :)

    Infelizmente já passei pela infelicidade de doar um cachorro amado, na necessidade de fazê-lo feliz, e não no egoísmo de carregá-lo conosco e fazê-lo sofrer.
    Como você poderia criar um dálmata em apartamento, ou um rottweiler sem quintal? Impossível, para uma pessoa sem tempo para levar para passear toda hora. Já passei por isso, dói até hoje, mas não sinto arrependimento pois tenho certeza que foram doados para as pessoas certas, com muiiiito espaço e excesso de amor para dar (um deles inclusive foi doado a um veterinário que levou o cachorro para morar com ele em sua fazenda).
    Por isso eu não julgo, desde que seja feito da maneira menos estressante para o cão. Não simplesmente largar em qualquer lugar, ou deixar com qualquer um. A vida nos traz alegrias, mas também nos traz dificuldades que exigem decisões delicadas, e isso faz parte do nosso aprendizado.
    Ainda sofro ao lembrar e preferi não manter contato constante, nem vê-los novamente, para não sofrer e não fazê-los sofrer também. Mas sei que foram muito bem cuidados (atualmente um deles já atravessou a ponte do arco-íris).
    Hoje tenho 4 filhos, um deles adotado, mas no momento tenho condição estável para cuidar muito bem de todos eles. E também penso 50 vezes antes de ter um cachorro com porte como de um rottweiler e com a energia de um dálmata, já que não são compatíveis com qualquer lugar, e se amanhã eu tiver que me mudar, tenho certeza que conseguirei levar meus 4 filhos comigo :)

    Beijos e boa semana!

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  4. Muito bom, Camilli...
    Eu, por exemplo, tenho muito carinho pela antiga família do Nicolau, justamente porque eles se encaixam no grupo dos que tiveram sua vida mudada sem nunca imaginar que isso pudesse acontecer. E tomaram o maior cuidado para escolher o novo lar, tanto que o Nico já tinha ficado numa outra casa, cujo casal o queria muito, mas tinha 2 gatos que entraram em pânico. A idéia deles era ficar com o Nico e doar os gatos, coisa que a Julie, "irmã" humana do Nicolau não aceitou. Foi assim que meu bebezão chegou até mim. E até hoje buscam notícias sobre ele. Ela só nunca teve coragem de visita-lo o que compreendo perfeitamente.

    Fácil falar para quem nunca viveu. Mas ninguém conhece seu dia de amanhã...

    Bjs

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  5. Sou do time que "jura ajoelhada no milho..." que nunca vai doar. É claro, não sou radical, acho que muitas vezes a doação é a melhor coisa pro animal, contanto que aquela familia ou pessoa se conscientize e não pegue/compre outro animal depois.

    Como veterinaria, o q eu mais vejo é doação por que vai se mudar pra apartamento, doação por que o cachorro destroi tudo, doação pq está sem condições/tempo, meu filho ta com alercia e etc...
    Olha, como outra pessoa disse nos comentários, so JUSTIFICA doar um animal quando não se tem condições de mantê-lo, o que faria uma pessoa doar um filho ( digo a pessoa ir morar debaixo da ponte ou não ter dinheiro pra propria comida, e não não ter dinheiro pra banho em pet e royal canin...) Todos os outros motivos, me desculpe, não entendo mesmo.

    Anos atrás, morávamos numa casa com quintal enorme e tinhamos uma mestiça de Pastor Belga. Por motivos financeiros, tivemos que nos mudar para casa da minha avó, um apartamento. Claro, todo mundo falava para doarmos ela. Encontramos um dono legal, num sitio. Ela ficou la exatamente uma semana, quando a pegamos de volta. Não dava para dormir direito, pensando no qnt ela nos amava e devia estar sentindo. Ela ia na rua 1 vez por dia, á noite quando tinhamos tempo para leva-la. Moramos 3 anos no apartamento, nesse esquema e ela foi excelente. Depois conseguimos nos mudar novamente para uma casa com espaço. Não me arrependo de ter ficado com ela. Do momento que foi morar conosco com 45 dias, até a sua morte com 14 anos, ela nos acompanhou em todos os momentos.
    Quando se tem vontade, dá-se um jeito.

    Agora, pessoas que querem doar o animal por qualquer outro motivo... Sinceramente ? Doem, doem para um lar legal, bem escolhido, mas por favor, não adotem/ comprem outro animal depois. Se vc ja viu que não tem condições, tempo, paciencia e principalmente vontade de suprir todas as necessidades do animal, não assuma a responsabilidade de tê-lo.

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  6. Camilliii, Divaaa adorei este post!!!!
    Parabéns de novo, e de novo e de novo!! Amei teu comentário sobre filhos, aborto e principalmente sobre auxiliar frenchies renegados.
    Li todos comentários e CONCORDO PLENAMENTE com a FreakVet!!
    Já ajudei inúmeros casos de doação por motivos mil, acho que temos sim que resolver, temos que encontrar um lar adequado e jamais julgar o outro.
    Porém assim como a Freakvet, e a Carol da Bela eu não aceito justificativas do tipo: cão agitado, destrutivo, fedido, doente, vou me mudar pra um jk e tenho um dogue alemão, etc......
    Pra mim funciona como pra ti, sobre o lance da AN X Ração!!! Comprende mas não aceita!!! Respeito a opinião de todos, mas nem por isso suavizo a minha!!
    Uma pessoa que sabe ler, pode pesquisar, se informar e evitar adquirir antes o pobre animal!!! Não depois vir com "choramingos", histórias emocionalmente apelativas, para que a gente pense que não exista outra possibilidade que não a doação!!
    Assuma as responsabilidades, não se faça de coitado ou de "herói", pq arranjou um novo lar muito mais legal pra ele!!
    Vc errou então resolva, e saiba que vai sim doer na alma e fim de papo!! Chega de se justificar, eu assumo quando erro e vou ter q conviver com meus erros pra sempre e isto é viver, é amadurecer!!!
    Sabe, se eu tivesse que ir pra baixo de um viaduto viver, tenho certeza que todos meus cães me acompanhariam, pq nos amamos e isso que importa!! Isso que eles querem, AMOR!
    Espero que todos me compreendam, assim como compreendo todos!!
    Super bjks Cecília.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Outra coisa, eu tb n sou do tipo que falo "aceito" ou "não aceito" nd em relação a vida dos outros.
    se a pessoa quer doar o cão, com ctz, em todas as hipóteses é pq o ambiente pro cão nao ficará bem.
    meu papel é encontrar um lugar onde ele fique bem.

    pra mim é meio como a homossexualidade que o pessoal fala "ah, eu aceito!", mas, que que eu tenho que aceitar ou não a decisão dos outros?

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  9. Olá pessoas!

    Obrigada por todas as opiniões.
    Como eu disse no texto, o que sentimos, as nossas convicções pessoais, etc. não mudam a realidade que nor cercam.

    Portanto, afim de evitar um começo de embate sobre opiniões - o que é totalmente fora do propósito do texto, peço a vocês que guardem suas opiniões para si, pelo menos neste post, ok?

    Gostaria de convidá-las a NÃO MARGINALIZAR, NÃO JULGAR e, principalmente, AJUDAR quem passa por este problema.

    Se vocês puderem ajudar a verificar os lares das pessoas que querem adotar cães, ajudando a selecionar pessoas adequadas para os - muitos - cães disponíveis para adoção a ajuda será imensurável!

    Espero que compreendam, mas, a partir de agora, prefiro não aceitar comentários sobre opiniões pessoais a respeito deste tema. Entretanto, CONTATOS SOBRE VOLUNTARIADO SÃO MUITO BEM VINDOS!

    Obrigada!

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  10. O que posso dizer? Post excelente!

    A gente tem mania de atirar pedra pra tudo quanto é lado, mas não sabemos o dia de amanhã. Quantas vezes deixamos de fazer algo por preconceito, não é mesmo?

    Espero que, antes de julgar, a gente consiga ajudar.

    Beijos!!!

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